Incontinência Urinária

Tipo Descrição Algumas causas possíveis
Incontinência por impulso Incapacidade de adiar a micção por mais do que alguns minutos, depois de se sentir a necessidade de urinar. Infecção do tracto urinário.
Hiperactividade da bexiga.
Obstrução do fluxo de urina.
Cálculos e tumores na bexiga.
Medicamentos, especialmente diuréticos.
Incontinência provocada por stress Fuga de urina, geralmente em pequenos jactos, provocados por um aumento da pressão abdominal que se verifica quando uma pessoa tosse, ri, faz esforços, espirra ou levanta um objecto pesado. Debilidade do esfíncter urinário (o músculo que controla o fluxo de urina da bexiga).
Nas mulheres, diminui a resistência ao fluxo da urina através da uretra, em geral por causa da carência de estrogénios.
Incontinência por excesso de fluxo Formação de urina na bexiga que se torna demasiado volumosa para que o esfíncter urinário a contenha, de maneira que a urina se derrama intermitentemente, com frequência sem reacções na bexiga. Obstrução do fluxo da urina, provocada geralmente por dilatação ou cancro da próstada nos homens e por um estreitamento da uretra (um defeito de nascença) nas crianças.
Músculos da bexiga enfraquecidos.
Mau funcionamento nervoso.
Medicamentos.
Incontinência total Fuga contínua porque o esfíncter não se fecha. Defeito de nascença.
Lesões do colo da bexiga, por exemplo, durante uma cirurgia.
Incontinência psicogénica Perda de controle por motivos psicológicos. Distúrbios emocionais, como a depressão.
Incontinência mista Combinação dos problemas já indicados (por exemplo, muitas mulheres têm incontinência por stress e por instinto ao mesmo tempo). Combinação das causas acima mencionadas.

Tratamento

Um tratamento óptimo depende da análise minuciosa do problema de forma individualizada e varia segundo a natureza específica desse problema. Os que sofrem de incontinência urinária podem habitualmente curar-se ou, pelo menos, melhorar consideravelmente.

Muitas vezes o tratamento exige apenas que se tomem medidas simples para mudar o comportamento. Muitas pessoas podem recuperar o controlo da bexiga mediante técnicas de modificação do mesmo, como urinar com intervalos regulares (cada duas ou três horas), para manter a bexiga relativamente vazia. Pode ser útil evitar os irritantes da bexiga, como as bebidas que contêm cafeína, e beber quantidades suficientes de líquidos (de seis a oito copos por dia) para impedir que a urina se concentre em demasia (isso poderá irritar a bexiga). A ingestão de medicamentos que afectam o funcionamento da bexiga de modo adverso muitas vezes pode ser suspensa. Devem-se tentar tratamentos específicos, como se indica mais adiante. Se não se puder controlar a incontinência por completo com os tratamentos específicos, a roupa interior e os absorventes especialmente concebidos para a incontinência podem proteger a pele e permitir que as pessoas se sintam secas, cómodas e socialmente activas. Estas peças são discretas e de fácil acesso.

Os episódios de incontinência por urgência podem ser prevenidos urinando frequentemente com intervalos regulares antes que aqueles episódios se produzam. Os métodos de treino da bexiga, tais como exercícios musculares, podem ser muito úteis. Os medicamentos que relaxam a bexiga, como a propantelina, a imipramina, a hiosciamina, a oxibutinina e a diciclomina, podem ser úteis. Embora muitos dos medicamentos disponíveis possam ser muito úteis, cada um deles actua de um modo um pouco diferente e podem ter efeitos adversos.

Por exemplo, um medicamento que relaxa a bexiga pode reduzir a sua irritabilidade e a forte urgência de urinar, mas pode causar secura da boca ou retenção excessiva de urina. Por vezes os outros efeitos do medicamento podem ser utilizados com vantagem.

Por exemplo, a imipramina é um anti depressivo eficaz e pode ser especialmente útil para uma pessoa que tem incontinência e que também esteja deprimida. Por vezes, as combinações de medicamentos são úteis. Uma terapia com medicamentos deve ser vigiada e adaptada às necessidades de cada indivíduo.

Em muitas mulheres com incontinência provocada pelo esforço, pode-se aliviar o problema aplicando na vagina um creme que contenha estrogênios ou tomando comprimidos destas hormonas. Os emplastros cutâneos com estrogênios não foram estudados para o tratamento da incontinência.

Outros medicamentos que ajudam a controlar o esfíncter, como a fenilpropanolamina ou a pseudofedrina, devem ser utilizados juntamente com os estrogênios. Para aquelas pessoas que têm os músculos pélvicos fracos, podem ser úteis os exercícios que fortalecem esta musculatura (Kegel). A autoaprendizagem destas técnicas de contracção muscular não é fácil, pelo que se utilizam com frequência mecanismos de apoio para ajudar no treino. As enfermeiras ou os fisioterapeutas podem ensinar estes exercícios. Os exercícios implicam a repetida contracção dos músculos, várias vezes por dia, para desenvolver resistência e aprender a usar os músculos de modo apropriado, nas situações que provocam incontinência, como ao tossir. Podem-se usar absorventes para reter as pequenas quantidades de urina, que em geral se perdem durante os exercícios.

Os casos mais graves, que não respondem aos tratamentos não cirúrgicos, podem ser corrigidos por meio de cirurgia utilizando qualquer dos diferentes procedimentos que elevam a bexiga e reforçam o canal de passagem da urina. Em alguns casos é eficaz uma injecção de colagénio à volta da uretra.

Para a incontinência por extravasamamento, provocada por uma próstata dilatada ou outra obstrução, é necessária em geral a cirurgia. Há uma variedade de procedimentos disponíveis para extirpar a próstata inteira ou uma parte dela. O medicamento finasteride pode muitas vezes reduzir o tamanho da próstata ou interromper o seu crescimento, evitando assim a cirurgia ou pelo menos adiando-a. Os medicamentos que relaxam o esfíncter, como a terazosina, também costumam ser úteis.
Quando a causa é uma fraca contracção dos músculos da bexiga, podem ser úteis os medicamentos que favorecem essa contracção, como o betanecol. Também pode ser útil exercer uma suave pressão comprimindo o abdômen com as mãos, precisamente sobre a zona onde se encontra a bexiga, especialmente para as pessoas que podem esvaziar a bexiga, mas que têm dificuldades para o fazer completamente.

Em alguns casos, é necessária a algaliação da bexiga para a esvaziar e prevenir complicações, como as infecções repetidas e as lesões do rim. A sonda pode ser inserida de forma permanente ou então ser colocada e extraída sempre que for necessário.
A incontinência urinária total deve ser tratada com vários procedimentos cirúrgicos. Por exemplo, se um esfíncter urinário não se fecha completamente, pode-se substituí-lo por um artificial.

O tratamento da incontinência psicogénica consiste na psicoterapia, que geralmente é coordenada com uma modificação dos hábitos e com o uso de dispositivos que despertem a criança quando começa a molhar a cama, ou com o uso de medicamentos que inibem as contracções da bexiga. Uma pessoa que tem incontinência e depressão pode beneficiar com a tomada de medicamentos anti-depressivos.